
A hora da partida
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
A hora da partida soa quando
escurece o jardim e o vento passa.
Estala o chão e as portas batem, quando
a noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas.
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos
me é estranha e longínqua a minha face
e de mim se desprende a minha vida.
Um comentário:
É o fardo...tem de se largar, para poder carregar o próximo
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